14.12.17

A Ana Tudo Levou

O pior da tempestade Ana ainda não passou. Ainda não levou tudo mas, quer me parecer, vai levar. A Ana (Leal) fez aquilo que é, e deveria ser, o verdadeiro jornalismo. Jornalismo de investigação, entenda-se. O tipo de jornalismo que eu, honestamente, não esperava ver na TVI (bora lá ser honestos). É certo que não é a primeira grande investigação da tempestade Ana, aliás, boatos correram que a jornalista até tinha sido afastada da TVI, aquando de uma outra investigação, neste caso sobre dinheiro público esbanjado para financiar o ensino privado e, claro, interesses instalados. Somente por fazer o seu trabalho, e por dar com a língua nos dentes, a dizer as verdades, correu que a Ana tinha sido, citando uma notícia de há dois anos: "convidada a sair da estação". Acho difícil que tenha sido realmente assim. Mas dizer que, primeiro, a minha reação à notícia de um eventual caso de irregularidades na gestão financeira na associação foi, assim em jeito de pessoa sensata,  ponderada e justa (sem ter visto a reportagem), acreditar que se trataria, por certo, de um mal entendido. Que a senhora responsável pela instituição se conseguiria defender e, até, que tudo não passaria de um GRANDE mal entendido. Eventualmente alguém, que não a presidente, se estaria a aproveitar de dinheiro indevido. A primeira coisa que fiz foi ir ler o post da instituição no facebook. Até me pareceu muito bem fundamentado, verdade seja dita; até eu fiquei por momentos a achar que era (sim, também eu) uma grande cabala contra a senhora doutora, engenheira, Paula Brito e Costa e Sousa e Mello de Bettencourt da Polinésia de Braga, Mazzaropi de Vasconcelos, da Assunção Johnson (baby).

Depois vi a reportagem que é no mínimo desconcertante. Ver alguém, à frente de uma instituição como a Raríssimas, a aproveitar-se dos fundos para gastar 200 euros em gambas, a andar de BMW 520 e a receber perto de 6.000 euros por mês é absolutamente... genial!!! Assim de repente pensei, também eu, em criar uma fundação. Assim com imensos doentinhos. Ou uma IPSS... é como lhe queiram chamar. Desde que vá recebendo uns tostões do Estado, assim um milhão ou outro de quando em vez, o nome é o que menos importa! É que já estou a imaginar-me a passear alegremente pela Ralph Lauren no el Corte Inglés, com a Cavaca de olho nos vestidos na Carolina Herrera. Cavaca essa que agora se diz muito "espantada" com a situação... Ainda assim, acham que eu ia andar sozinho? Nem pensem, eu também quero andar com a Cavaca de um lado para o outro, além de outras figuras de Estado que isto depois vai-me catapultar para um mundo de pessoas influentes, pois que também eu quero ficar na "mó de cima". Mais, podem me tirar fotos agarrado a alguém influente, enquanto passeio à beira mar, numa viagem paga pela instituição (que é como quem diz, pelo Estado. Que é como quem diz, pelos contribuintes, que é como quem diz, por pessoas que vivem a sua vida monótona na legalidade). Se ela quiser, a Cavaca, até a convido para um jantar com gambas salteadas em cama de espargos com trufas brancas italianas, acompanhado de um belo bife kobe.  

Além de figuras nacionais de renome internacional, como a Cavaca, essa ilustre personalidade, também quero receber figuras da realeza. De preferência o Prince Harry. Sem a deslavada da sua nova namorada (que aquilo assim como assim também não vai dar em nada... basta que ele veja a minha instituição, salta-me logo para o Lombo e vamos viajar para os Barbados... para todos os efeitos para visitar doentinhos com tosse). Ou, vá, o Rei Filipe VI de Espanha que, desde que não venha com a enjoadinha da Letícia, é muito bem vindo na minha instituição/fundação/golden mine. Acho que não é pedir muito. A minha instituição também não terá fins lucrativos, está bem? Mas podem contribuir desde já com os vossos donativos singelos, para a conta: PT50 0010 0000 2705 1980 0017 8 Assim como assim também podem fazer desde logo a transferência para a conta na Suiça. Ou no Panamá. Ou nas Ilhas Cook. O que interessa é que contribuam para esta causa nobre que por certo vai ajudar muita gente. Nomeadamente a minha mãe, que desta forma poderá ir comprar uma bimby. E uns casacos Visons para o inverno. Com pelo verdadeiro. Ou um vestidinho de alta costura parisiense. Também dou a minha fortuna para não comprar uma briga! Logo que cheire um arrufo, prefiro dar todo o dinheiro (que açambarquei aos meus doentes que tanto amo); Mas que ninguém se lembre de comprar uma briga comigo! É melhor... a sério... (enquanto digo isto, abano-me com um leque com cristais swarovski). Fiquem sossegados, façam as coisas como il faut. Estão bem... da maneira como eu quero... não estão bem, andor! 

Como estou a viver na Alameda, e me vou deslocar para Arroios, onde vai ser a minha instituição, (isto já está tudo mais que pensado), vou apresentar também eu despesas de deslocação no valor de 1500 euros. Como é óbvio não vou de metro, era o que mais faltava. Vou de limusina. Para receber o Prince Harry vamos ter bandeiras bordadas cuja módica quantia é de 1500 euros. Vão ser várias, atenção. Que já bastou o pobre homem ter perdido a mãe, ainda ter de vir a Portugal e ver bandeiras sem serem bordadas, é de alguém querer desistir da vida, quiçá, atirar-se da ponte Vasco da Gama - porque todos sabemos, não, não somos todos iguais. E se recebermos o Senhor Presidente da República, ficam já a saber que não há cá selfies para ninguém! Quando ele sair da minha instituição, façam dele o que entenderem, até o podem violar se assim for de vosso interesse. O Senhor presidente é aquela pessoa que toda a gente conhece! Que eu não gosto pessoalmente... Não é do Senhor Presidente, é da postura que este Presidente tem! Da forma como ele tem vulgarizado a sua posição... (O Cavaco e a Cavaca não eram nada assim) Além disso não é casado, não há nenhuma lady para me acompanhar nesta fachada, logo não gosto nada dele. E cheira mal da boca. Mais... É uma terça feira, nós não estamos aparentemente a trabalhar...  mas temos que estar (se é que me entendem!!!!!). Por isso toca a fingir que estão muito ocupadas a tratar de todos os doentes, e tentem não espancar nenhum porque se babou um bocadinho, pelo menos enquanto o Presidente por aqui andar. Finjam que estão num dia habitual de trabalho e eu juro que não vos desço o ordenado de 500 euros. Precisamos de movimento e de encher a casa. Finjam, finjam muito bem, que eu também vou fingir que não sou um cabrão sem escrúpulos. 

A partir de amanhã, o primeiro que passe por mim e não me cumprimente como eu mereço, a seguir, está no olho da rua! Fiquem já a saber. Mais, quando eu entrar para o meu gabinete, façam o favor de se levantar e de bater palmas. Se possível, estendam uma passadeira vermelha e façam uma vénia à minha ilustre passagem. Podem também beijar-me os sapatos. Se pensam que isto não é uma dinastia, é! Ficam já a saber que quem me vai suceder é o meu gato Tobias. Estou a criar este império para que ele seja o meu sucessor. Ganha por mês 1200 euros mais um subsidio da Wiskas e um complemento para escovagens e para tirar bolas de pêlo. Ao todo 2.600 euros. Para quem não conhece o Tobias (gato), é o herdeiro da parada, eu chamo-lhe sempre o herdeiro da parada. E sim é os meus olhos e os meu ouvidos aqui na instituição. Fazem alguma coisa e ele conta-me tudo. E é assim: Ana Leal, vem cá armar-te em esperta que eu levo-te para um beco sem saída e apareces com as tripas de fora. O meu assessor Salvador trata disso pessoalmente. Ele está mais que habituado a lidar com jornalistas bisbilhoteiras com a mania que são espertas. A tentar sabotar fortunas, a tentar desmascarar fraudes, esta... esta... pulha!!!!!!!!!!

(obrigado Ana, obrigado por trazer dignidade à imagem dos jornalistas que há muito tem sido descredibilizada pela classe política, mas não menos pela própria classe jornalística que opta por se centrar em questões triviais, corriqueiras, em vez de fazer trabalhos como de resto este preconizou). 



7.12.17

Cristiano Ronaldo e as bolas

As bolas do Cristiano Ronaldo estão bem guardadas. É um prodígio, não há como ignorar e a dona Dolores sabe disso muito bem, até porque assume um papel preponderante no que toca a cuidar das bolas do filho. Quem fica muito aborrecida é a Georgina, que fica possessa e fora de si, pois acha que só ela pode tocar nas bolas do CR7. Uma coisa é certa, Ronaldo venceu a liga dos Campeões, liga espanhola, supertaça espanhola e, como se não bastasse já, a europeia - o que deixou pouca margem para dúvidas sobre quem venceria este ano. As bolas deste menino valem ouro. Há muito boa gente que dava tudo para ter as bolas dele nas mãos. Vocês não se importavam, escusam de mentir. Olhem o Messi. Não é que o argentino não tenha já as bolas dele, tem, só que não se importava nada de ter as do Ronaldo só para ele. É o segundo ano consecutivo que Cristiano atinge o feito, note-se. Para terem a real dimensão desta proeza, basta pensar que o Figo só tinha uma bola, coitado. Deve ter sido complicado para ele gerir toda esta situação. 

Ronaldo vai muito provavelmente querer exibir as suas bolas ao mundo. Preparem-se. Não vão conseguir ver outra coisa nos próximos dias. Messi tem uma foto em que as mostra sem pudor e com muito orgulho, por isso o Cristiano deverá querer fazer o mesmo. Tenho uma mente aberta a esse ponto, não há cá falsa modéstia e moralismo bacoco. Eu só não mostro as minhas bolas porque não as tenho, mas também mostrava à descarada. No Instagram, no facebook, em plena baixa pombalina, na Gran Via... era em todo o lado. Há inclusive uma foto do CR7 a dar um beijinho na própria bola!!! Parecendo que não, as bolas sao grandes e pesadas... Isto é incrível, e é por estas e por outras que ele é o melhor do mundo!


30.11.17

Somos só uma praga de ratos

Se ontem se cruzaram, na linha vermelha, com um metro apinhado como nunca antes, e com um tipo numa batalha hercúlea (aí por volta das 9h00 da manhã) para conseguir entrar com uma mala encarnada, gigante, então era eu! Sim!! Olá!! Como é que estão desde ontem? Aposto que pensaram no que eu vos gritei exaltado, em modo Crazy cat lady... "CHEGUEM-SE PARA A FRENTE, POR AMOR DE DEUS...", e... "NÃO PAREM DE TER FILHOS, NÃO...". Ninguém ripostou, ninguém fez um arfar evidenciado, ninguém tirou o ar enfadonho da cara. Estava mesmo à espera de ter de mandar alguém para algum lado giro, mas tal não se verificou ser necessário. Parecia uma manada de gnus encurralados. Também não vale a pena ficarem preocupados, eu consegui apanhar o autocarro. Se tivesse de me arrastar de volta para casa com aquele malão, porque não tinha conseguido entrar... então, aí sim, era razão para estarem preocupados porque havia grande hipótese de não terem metro hoje, nem nos próximos dias, porque eu ia rebentar uma bomba naquela merda toda. Existe atualmente um grupo internacional que defende a extinção humana, e não é que eu começo realmente a perceber esta gente? É na verdade para isto que servem os grupos extremistas: para controlar as pragas. (Maria Viera a saltitar de alegria por esta altura). Eu juro que choro a ver tragédias, eu não sou assim tão insensível, mas PAREM DE TER FILHOS POR FAVOR. Entretanto, nem a propósito, há coisa de dois dias cruzei-me com uma curta de animação, Happiness de Steve Cutts, que preconiza na perfeição a sociedade de hoje. Eu revi-me naquele rato que ficou com a cauda presa nas portas do metro.  




18.11.17

Doenças várias

O meu ordenado é tão elevado que dei por mim a procurar trabalho num desses sites cheios de ofertas de emprego aliciantes. Não é que faça questão de mudar de emprego, mas estava assim numa de fazer um estudo de mercado, sobretudo depois de perceber que muita gente onde trabalho tem dois, ou mesmo três empregos. Entretanto, acho que finalmente encontrei a minha verdadeira vocação: entre as inúmeras referências a estágios que fui tropeçando pelo caminho (não remunerados, como é evidente) e mais umas quantas em catadupa, como, "precisa-se de pai natal"... não é que encontro, "Precisa-se de pessoas com dermatite atópica"??. Não sei se dá para perceber a dimensão disto: É que é a minha oportunidade de brilhar... Por acaso até acho que tive uma dermatite atópica recentemente!! Bem, que sorte. Pelo sim, pelo não, fiz uma pesquisa no google para ver o que era, e tudo indica que é realmente aquilo que penso ser. Diz assim: "também conhecida como eczema atópico, é um dos tipos mais comuns da dermatite; É definida como uma doença crónica da pele que apresenta erupções e comichão...". É isto, senhores, é isto. Só pode ser isto. E mais, "A dermatite atópica pode também vir acompanhada de asma ou rinite alérgica". E NÃO É QUE EU TENHO RINITE!?? Acho que isto devia dar direito a mais uns extras no recibo de ordenado. Um acréscimo de 500 euros, por exemplo. Mas é assim... também aviso já, se for preciso contrair outras doenças, não digo que não. Estou aberto a novas experiências. Posto isto, se souberem de alguém que precise de um gajo com tendencias bipolares, com azia várias vezes por mês, bronquite, rinite, cáries dentárias, uma catarata ou outra, daltonismo, fobia social, disfunção da articulação temporo-mandibular esquerda,  frieiras no inverno, golpes de calor no verão... contactem-me o mais rápido possível.


2.11.17

Ele há coisas

Há nomes estranhos, que há, toda a gente conhece uma dona Anália... que ainda por cima são geralmente senhoras simpáticas e amistosas de alguma idade. Pior, pior, é saber que há quem tenha o nome de Anaïs. Eu conheço uma. Na casa dos 20, coitadinha. Felizmente não somos amigos. Nem nunca seríamos porque eu simplesmente não deixava. Também conheço uma Alaís, esta sim com pais com juizínho. Mas acabo sempre por perguntar-me o que teriam estes progenitores na cabeça para lhe darem aquele nome tenebroso. Acharam por certo que uma tónica mais acentuada na ultima silaba tiraria, assim de imediato, a associação à pratica sexual? Pensaram mal. Eu processava os meus pais que, graças a Deus, me deram um nome decente. A minha mãe confessou ter visto um filme religioso aquando da escolha. Assim de repente até parece que me chamo Jesus, mas não. Já os pais da Anaïs estariam, por certo, também eles a ver um filme ou outro. Arrisco alguns nomes: o "Entrando pelos Fundos", ou o "Analconda". Mas tudo muito bem, uma pessoa esquece esta gente no seu dia a dia, a menos que no trabalho não haja volta a dar: e quando se tem de anunciar que o novo selecionador da seleção Austríaca, se chama Franco Foda? E que uma promessa do rugby inglês, de 19 anos, se chama Dino Lamb-Cona? A coisa complica-se. É que se uma Larah com h já me deixa nervoso, agora imaginem.


15.10.17

Literatura da Boa #2

Cerca de 1000 páginas sobre os esgotos de Lisboa... ora bem, por onde é que eu começo? Se calhar por afirmar que sempre quis saber o trajeto do meu cocó. Razão mais que suficiente para mergulhar nestas páginas submersas em águas que deambulam por entre os muitos quilómetros de canos, nesta bela cidade, à beira rio plantada. Arrisco dizer que acho mesmo que o cocó tem uma vida secreta que merece ser explorada. Se, como eu, acham que o vosso cocó têm uma vida dupla, assim a fazer lembrar o  Toy Story (versão dejetos, ora parecem muito sossegados, ora estão em amena cavaqueira), então não percam tempo e agarrem já o vosso exemplar! Este já tem um aspeto assim um bocadinho carcomido pelos bichos, mas aposto que não será difícil meterem a mão... num deste cobiçados exemplares! Lembro-me quando a malta andava louca a ler o Perfume de Patrick Suskind e havia quem jurasse a pés juntos que, durante a leitura, lhes cheirava a peixe podre e outros cheiros que tais. Espero sinceramente que este não cheire a merda. Mas com um bocadinho de sorte é ilustrado. Com um bocadinho de sorte, também, é capaz de por lá andar o cocó da Madonna e do Sócrates, a confraternizarem.