22.8.17

Kit nerd Essenciais

1. Um belo boné. Mas não é um boné qualquer, não, tem de ser especificamente da NASA, ou então não serão gozados e por isso nunca terá a mesma graça. O que importa é conseguirmos mesmo ser insultados. "Nerdddd!!!" gritam eles, rufias, ou simplesmente pessoas cheias de estilo. Fingimos que estamos tristes mas, na verdade, saltitamos por dentro de alegria. O ideal é parecer que somos verdadeiros ratos de biblioteca e que dominamos assuntos complexos. Saber que a Eosinopénia é um marcador preditivo da ulcera péptica perfurada, poderá ser um desses assuntos dos quais temos total domínio. O que é que isso tem a ver com o sistema solar? Nada, nem é preciso saber que a NASA é uma agência espacial. 



13.8.17

Wet Dreams

Não tive wet dreams, não. wet Dreams é o nome de um filme que passou num qualquer festival de cinema de surf algures na Ericeira. A que propósito vem isto? Rigorosamente nada, um pretexto para contar um sonho estapafúrdio que envolve nada mais, nada menos, que a Luciana Abreu e o Ricky Martin. Sim, os dois... do que me lembro era uma espécie de tour pela casa da Luciana e não querendo mentir, acho que a certa altura quem estava a fazer essa visita era a Oprah Winfrey. Ou a Fátima Lopes. Era por certo uma mistura das duas. A casa era uma casa pré-fabricada retangular (sei bem que se estava a interrogar sobre isto). E era preta por fora. Eu, sendo um personagem omnipresente, percebi logo que a Luciana tinha escolhido o preto como homenagem ao seu ex-marido, Yannick Djaló. A parte mais bonita deste episódio, na casa da Luce, foi quando, com crianças na sala, a Luciana decide pegar numa cadeira (que não era apenas uma inocente cadeira) e, alongando-a, assim em jeito de mobiliário futurista que tem várias funções, transformou a dita num varão de stripper. Sim, também leram bem, num varão de stripper onde sem mais demoras começou a rodopiar com as pernas todas levantadas. A situação estava a ser estranha, com a Ophra/Fátima, a fazer um olhar embaraçado. E por isso mesmo apressámos a Luciana a mostrar a parte de cima da casa, onde, no quarto, estava o Ricky Martin deitado na cama com um ar másculo. Fim.


25.7.17

RIP Paint

Ainda ontem usei o Paint. Um gajo faz print-screen, cola no paint e está feito. Vai acontecer o mesmo que aconteceu ao rinoceronte negro do Oeste e ao MSN - a extinção. Vou ter saudades, mas espero que todas estas coisas sejam temporárias, assim em jeito do que aconteceu ao vinil, aos gira-discos, às cassetes. Ou até os all-stars, que volta e meia voltam e quando dou por mim estou com uns verde-menta. Ainda no ano passado, quase a arrancar os cabelos sem saber mexer no photoshop, o Paint foi o meu melhor amigo. Isto não é um adeus, é um até já.





                                                                               NME

23.7.17

Quando te cai a ficha a ver friends

Ando muito ocupado. Ocupadíssimo a aperceber-me que os personagens dos Friends têm a minha idade, ou melhor, que eu cheguei à idade deles na série. Isto a mim choca-me profundamente. Ou pensar, por exemplo, que a Jennifer Aniston tinha 25 anos quando a série começou... faz-me cair a ficha e perceber que estou mesmo a ficar uma carcaça. É que, assim como quem não quer a coisa, a primeira vez que vi a série, avulso, na RTP2, tinha a cara em obras e deixava de estudar geografia (em véspera de teste) para ir jogar Sims - foi por isso há muito, muito tempo; Agora, a ver a série pela terceira vez, ouvir das suas bocas a referência aos seus 27 anos (em média), deixa-me com suores frios. Sou assim, nasci assim e vou ser sempre assim - como a minha mãe - que há mais de 10 anos permanece com 46. Entretanto também me apercebo que quanto mais sei que tenho uma miríade de séries novas para ver, mais tenho vontade de rever as clássicas. 

Para começar faço questão de ouvir religiosamente toda a música do genérico, do principio ao fim, já que diz muito sobre a minha vida: "So no one told your life was gonna be this way"... verdade, ninguém me avisou de antemão que ia dar nisto. Andei eu a comer papa cerelac durante anos para afinal acabar no ginásio a tentar ganhar massa muscular. "Your job is a joke", pois que não foge muito disto, realmente, e olhem que o Morrissey já me tinha avisado com o "I was looking for a job, and then I found a job, and heaven knows I'm miserable now...". Ver malta mais nova que eu a exercer jornalismo e a escrever enquanto olha para o teclado, com apenas dois dedos a funcionar, diz-me que bati no fundo (além de que ninguém sabe reconhecer as minhas qualidades de Sonic a escrever). "You're broke". Chego à conclusão que sim. Sobretudo quando constantemente, onde trabalho, vejo notícias sobre contratações milionárias e malta com 20 anos a receber 90 mil euros mês, por isso, sim, estou nas lonas. "You're love life´s D.O.A" também é real, fui (felizmente ou infelizmente, não chego a saber) dotado de uma racionalidade que me permite ver as coisas como são, há nenufares que acreditam mais no amor que eu. Já para não falar na parte do "When it hasn't been your day, your week, your month, or even your year...". 

Uma coisa que temos em comum: não vivemos sozinhos. Aliás, vivemos com pessoas a mais. Se bem que, não vivendo todos juntos, eles passam a maior parte do tempo em casa da Mónica, logo vai dar ao mesmo. Curioso é que nunca os vejo a discutir sobre limpezas, nem sobre quem é que compra sacos do lixo (e quem os leva para baixo). Porém eles são todos amigos e raramente se chateiam. Claramente não é nosso caso, já que o único que posso considerar amigo rouba-me papel higiénico e desaparece-me com os panos de cozinha. Situações que me levam a querer que exista uma catástrofe em Lisboa, para que as rendas baixem e eu possa comprar 30 metros quadrados por um preço simpático, para, evidentemente, viver sozinho. Meia dúzia de mortos, também não era preciso mais.

Outra coisa que mudou, entendo hoje, foi a minha perceção dos personagens. Lembro-me de não gostar particularmente das piadas do Chandler Bing (eu sei, como é que é possível???) e de não simpatizar muito com a Rachel. Hoje gosto de todos de igual forma. Porém a Phoebe será sempre a minha personagem preferida, e nisso não há volta a dar. É a personagem que traz uma componente de total nonsense e que acaba por desconstruir as situações de uma forma muito particular. De lembrar que a Lisa Kudrow venceu um American Comedy Award. Entretanto, como seria de esperar, ao longo dos anos foram sendo conjeturadas pelos fãs várias teorias. Umas mais interessantes e mais rebuscadas que outras. Entre elas a de que a Monica seria, na verdade, meia-irmã do Ross, o que ajudaria a responder à relação com a mãe. Ainda assim a mais interessante, que surgiu recentemente, e que não chega bem a ser uma teoria (já com direito a feedback dos criadores da série), é a de que, e passo a citar, porque não me está a apatecer traduzir: "I'd have ended Friends by revealing it was all the meth-addled fantasy of a homeless Phoebe as she stared through the window of Central Perk. Each kooky aside, each time she made everything about her (...) it all makes sense. All 10 seasons were merely her fevered imagination, projecting herself into the lives of the others. All she ever wanted was... Friends. The final schene would be Phoebe walking away from Central Perk, with the Ross, Rachel, Joey, Chandler and Monica characters making a reference to the crazy lady who always stares at us» (...). Ok, esqueçam, seria demasiado deprimente, até para mim que gosto de finais dramáticos e decadentes. 

Toda a gente sabe como a série acaba. Parece um final simplista, fácil, que sabe a pouco, mas na verdade parece-me antes realista, o que acaba por fazer a ponte com o que os próprios atores passaram aquando do fim das gravações. Um final a fazer-nos lembrar que as relações de amizade não duram para sempre e mesmo que sobrevivam, dificilmente voltam a ser o que eram. Está bem que já não me lembro de todos os pormenores do final, mas ficou a ideia de vazio (literalmente), sem grande espaço para um final de 'viveram felizes para sempre'. Recordo-me da casa da Mónica sem nada e do fechar da porta para não mais se abrir, já que é mesmo pouco provável que haja um regresso (e ainda bem que assim é). Aquela ideia essencial de mudança, de fim de um ciclo e de algo que nunca mais se pode voltar a repetir. 






2.7.17

Como o Macaco gosta de Cebola Roxa, eu gosto do José Cid

Conta-se por aí que o famoso e talentoso (ehh, mais ou menos...) Jay-Z, usou, para o novo álbum, "4:44", excertos de uma música feita por cá nos idos anos 70! Que orgulho!!!! Depois de vencermos a Eurovisão, saber que "Todo o Mundo e Ninguém", do grupo Quarteto 1111, inspirou o marido da Beyoncé... é sentir que atingimos a glória, é sentir que ficaremos para sempre nos anais da história. É que o José Cid, note-se bem, é um dos autores do tema... Como o macaco gosta de Bananas eu gosto do Cid. Na verdade eu não gosto nada de bananas, só como porque preciso de ganhar peso, mas o nosso Zé Cidócas é indubitavelmente um vulto na musica portuguesa. E na cultura. E na arte. E na estética, ou não se lembram quando, há não muito tempo, se andou a esgravatar numa afirmação feita por ele sobre os transmontanos? "pessoas medonhas, feias, desdentadas", dizia ele, a ser simpático. Ora o que é que se tira daqui? Que se o Jay-Z se tivesse inspirado na famosa fotografia do José Cid, todo nu, com o CD à frente a tapar as miudezas, a Beyonce nunca teria lançado Lemonade. Por outro lado, acho mal... Acho mal que não tenham usado também o irreverente tema da Adelaide Ferreira, "Baby Suicida", esse sim, um tema mítico e subvalorizado. Quem não se recorda das suas sábias palavras neste hit que a catapultou para a fama? Sabias palavras, como estas: "E o meu nome é louco, chamo-me Babyyyyy Suiciiiidaaaaaa...Tomo mil calmantes, e chamo os meus amigos para me veeeerrrreeeeeem morreeeeeer (...) telefono ao meu melhor amigo p'ra me vir salvar, quero vomitaaaaaar". Depois é "baby baby, baby baby suicidaaaaaa" que nunca mais acaba. Enquanto diz isto, vemo-la subir a um escadote (dos grandes, não é para meninos, tem para cima de 12 degraus), a andar num tejadilho de um carro correndo o risco de bater com a cabeça num semáforo, e ainda a andar em muros altíssimos. Diz ainda, na letra, que é maníaca depressiva. Ameaça que se atira da janela, também. Fala em drunfos. Mas depois andou a cantar "eu dava tudo para te ter aqui, outra vez...", não se percebe esta gente. Jay-Z, em todo o caso, vê esta pérola e deixa-te inspirar. Ainda por cima o pequeno ficou a saber que a mãe é lésbica... este mundo está perdido. 



26.6.17

20 anos de Harry Potter

No mundo de magia criado por J.K. Rowling, (escrito há, pelo menos, 25 anos, publicado há precisamente 20, feitos hoje) não existem televisões e, assim sendo, dificilmente teríamos bruxas a transmitir e a relatar calamidades ao lado de vítimas. Assim no máximo, terimos uma manchete do Daily Prophet com destaque para uma invasão de dementors em que estes se mexem na primeira página como se de um Gif se tratasse. Também não existem novas tecnologias; ora iPhones, tablets ou drones não fazem parte da saga; nem tão pouco redes sociais. Instagram, facebook, twitter, YouTube, whatsapp ou snapchat, não existem (e que alívio que assim o é). Os feiticeiros e feiticeiras não têm aquela pressão social chata de ter de atualizar a foto de perfil, ou de ter de responder a perguntas como 'o que é que estás a sentir'. A malta de Hogwarts diverte-se à mesma, não pensem o contrário... fazem poções polísuco, e vão para a floresta Proibida à procura de sangue de unicórnio (aposto que vão fazer outras coisas, em segredo, os badalhocos). Depois, também não consigo imaginar o Harry a mandar nudes à Ginny, ou o Ron a enviar dick picks à Hermione. 

Se J.K. Rowling começasse a escrever hoje, parece difícil imagina-la a conseguir conceber uma história sem escapar a tanta evolução tecnológica, a contornar tantos aspetos contemporâneos a fervilhar. Ou seja, acho difícil imaginar um Harry sem um smartphone para o engate, ou sem um Dudley a ser youtuber. Parecendo que não, em 1996 (andava eu na creche) não existia ainda grande coisa e, talvez por isso, J.K Rowling tenha conseguido criar um clássico intemporal. Basta pensar que em Hogwarts aquela malta ainda janta e vai dormir à luz das velas. Se nem eletricidade aquela malta ainda descobriu, há algo de muito arcaico (mas em bom, não é do género senhor dos anais) transversal ao nosso imaginário, que nos leva para um espaço bem longe de luzes led ou neon. No mundo do Harry também não há bimbys. Há cerveja de manteiga, e feijões com sabor a salsicha. Não há cá chefes de cozinha. Não há Avillez, nem 24 kitchen, nem master chefs de famosos chatos. Em vez disso, bate-se palmas e temos banquete. Também não há metro, deslocam-se em comboios, carros voadores ou vassouras. voam em cima de Griffos uma vez por outra. E entretanto é capaz de ser tudo isto a grande e verdadeira magia de Harry Potter, a que nos leva a imaginação para bem longe dos dias que correm, longe das nossas vidas aborrecidas de muggles. 

(Entretanto, descobri hoje que o Dumbledore é rabeta, estou chocado).