26.5.15

Tecnófobo assumido

Dá vontade de me mudar para o Mississipi e viver do que a terra dá, quando, não tendo outra escolha, parece impossível viver sem tecnologias. O pior, é quando essa evolução arrasta consigo questões relacionadas com a sua esperança média de vida, que parece, propositadamente, cada vez mais curta. Passei a tarde na biblioteca da faculdade a passar texto de livros e, assim que chego a casa, o portátil não dá sinais de vida. Claro que dá logo vontade de o atirar contra a parede e depois, com requintes de malvadez, para me certificar que o gajo sente o máximo de dor possível, atira-lo pela janela. No futuro, quando o computador tiver superado a mente humana, o tal processo de reinstanciação, eu espero, sinceramente, que dê para infringir dor nestes aparelhos. De tal forma, que seja mesmo possível torturá-los, espancá-los até vomitarem peças e parafusos. Na verdade eu nem precisava assim tanto de portátil, só tenho 4 trabalhos para junho. Nos dias seguintes andei descontraído, a um ponto em que tinha o Pedro a perguntar-me como é que eu estava tão calmo. Claro que me apetecia chorar como um bebé e bater com a cabeça na parede até deixar de ter consciência. Como se não bastasse, andava tão stressado que, já ia no metro em Picoas, reparo que tinha deixado a mochila no Frankies, em Entre Campos. Também nessa altura fiquei com vontade de me atirar para a linha. Como se uma tragédia tecnológica não fosse suficiente, chego a casa e o carregador do telemóvel não funciona. Não dá logo vontade de partir os dentinhos de alguém neste momento? Passou-me pela cabeça bater na lésbica antipática que vive cá em casa. Enfim, nem tudo é mau, até porque isto mostra a inteligência destes bichos eletrónicos. Afinal era só a bateria e o senhor da loja disse que o portátil estava a precisar de uma revisão, e perguntou-me, como se eu fosse um atrasado mental, a razão para eu precisar de três anti-vírus. Mas pronto, neste momento está a funcionar melhor do que nunca, é preciso dizê-lo, não vá amuar outra vez e apagar-me as fotografias todas.


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