20.6.15

It's my party and I cry if I want to

Amanhã faço anos. Tenho uma relação estranha com dias de aniversário e, chego mesmo a achar, do alto da minha velhice, que a pratica de comemorar o passar da idade devia ser banida das sociedades. O motivo? Eu alegaria equilíbrio mental, ou, talvez, uma estratificação por idades que me parece totalmente descabida. Ninguém saberia ao certo a idade que tinha, teria tudo a ver com o aspeto percepcionado. Em todo o caso, sim, amanhã faço anos e há que saber enfrentar a realidade. James Dean nunca chegou a este marco. Mas note-se, não me assusta particularmente a ideia de fazer um quarto de século, mas talvez a ideia de nunca mais poder voltar aos 24. Isso aborrece-me, é deveras desconfortante. Por outro lado, bem sei que não me posso queixar do que fiz até agora e, em jeito de revivalismo, as coisas foram acontecendo pelo melhor. Enfim, consigo fazer contas e perceber que o saldo é positivo, para além de que ninguém me dá a idade que tenho. Não sei onde vou estar daqui a outros 25, parece estar tão longe. Em todo o caso, se lá chegar, terei sempre este texto para ler e me lembrar, para me fazer viajar no tempo até ao sítio exato onde estou agora. Onde quer que eu esteja irei me lembrar que Passos Coelho estava no governo, que Sócrates estava na prisão, que António Costa tinha o carisma de um bidé. Fora isso, durante todos estes anos que se seguirão, espero ter aprendido a tocar piano, ter viajado para o oriente, ter aprendido a cozinhar e não ter morrido à fome, ter ido ao ginásio e estar constantemente a ouvir um «tu não envelheces»; Espero ter lido aqueles livros todos que quero ler, ter me tornado um Ás da guitarra, aparecido numa tela gigante de cinema mais de 1 segundo e espero, também, estar a escrever bem melhor!


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