25.3.16

Ana Malhoa em Dá-me una Galheta

Pessoalmente acho que a Anocas não está a precisar de um besito, mas de uma valente galheta naquele trombil. Mentira, a Ana é uma artista como poucas, mas como é uma das que está sempre à frente do seu tempo, tão Avant-garde, ninguém a percebe. Prostrada pelo desgosto ela caminha na estação do oriente sozinha, como quem luta pela arte, malograda com a incompreensão. Percebem a profundidade disto? Provavelmente no ano de 2069 já não existem pessoas com bom gosto musical (já estão em vias de extinção, o Darwin bem nos alertou) e então sim, nessa altura todos vão reconhecer a família Malhoa como quem, hoje, reconhece Fernando Pessoa. Por essa altura já todos os quadros do Van Gogh se vendem nas feiras, e o museu de Orsay enche-se de obras da Joana Vasconcelos. Vistas bem as coisas temos de reconhecer que a cantora inventou algo que não existia até então: o futurismo badalhoco. Desta feita o seu estilo musical dá continuidade a uma corrente assinalável na arte que terá surgido em 1909, em Itália, que queria romper com tradicional e liga-se ao conceito de dinamismo (querem mais dinamismo que a Aninhas a tomar uma banhoca vestida, com umas cuecas que dizem lucky star?). Em termos plásticos isto revelou-se na decomposição geométrica das formas com linhas quebradas: lá está, mais uma vez isto faz tudo sentido.. basta olhar para a indumentaria em vinil e o rebolar na cama; não se vê logo que é o caso? Não estaremos nós a subestimar uma corrente artística emergente? A propósito de coisa nenhuma, mas provavelmente com uma mensagem subliminar, é a tatuagem da borboleta.  É que há um revisor nos comboios que faz a ligação Cais do Sodré - Cascais, que tem uma tatuagem igual! Isto precisa de ser estudado por alunos de história da arte..


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