29.3.16

Vá lá, não me tratem por senhor, pode ser?

Se há coisa que eu dispenso, seja onde for, em que situação for, é que me tratem por senhor. Não há a mínima paciência, deixem-se de lerias. Dá-me vontade de, esteja eu do que estiver a tratar, sair e mandar tudo ao ar num rasto de destruição assim só comparável a um sismo de 7.8 na escala do vá bugiar. Entretanto já nem estou concentrado no que estava a fazer, já estou com vontade de fugir para a casa de banho ver se tenho rugas ou cabelos brancos, ou, pior, tomar uma overdose de antioxidantes no vitaminas. É isto, é trágico, mas aqui me confesso. Não sou de me abespinhar facilmente, não sou não "senhor", mas quando uma pessoa vai, sei lá, comprar roupa... e nos chega alguém a proferir um enjoadinho "senhor, precisa de ajuda..." é sinal que a coisa não vai correr bem à partida. Aquele cliché "o senhor está no céu", se calhar tem algum fundamento, não? É sinal que não estou sozinho no mundo. Já me deu vontade de pedir aquela coisa útil que se chama o livro de reclamações e tudo, mas nem era para escrever, era mesmo só para lhes dar com o livro em cima. Senhor podia ser imprescindível para formular uma frase educada, mas não é! Eu juro que me contento com um 'precisa de ajuda' sozinho e a abandonado, a sério que sim. Até um "dê me cá essa merda" nas finanças soa melhor que um "Senhor, tem os documentos?" Isto até podia nem vir a propósito de nada em particular, mas vem. É que hoje trataram-me por "menino" duas vezes, duas pessoas diferentes, pouco mais velhas que eu certamente, o que dá logo vontade de mandar condecorar as pessoas em causa com a ordem Grã-cruz da ordem de Cristo e, ao fim ao cabo, juntávamos o útil ao agradável... dávamos assim um trabalhinho extra ao Marcelo, que, assim como assim, anda muito desocupado. Adoro quando me dão 20 anos mas temo que isto seja patológico e que, afinal, sofra do síndrome do Peter Pan. 


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