2.4.16

Acabadinhos de sair do forno

Não sei cozinhar, já o disse. Também não sei fazer bolos daqueles com 30 andares, cheios de cores de origens duvidosas, com açucares em doses industriais para entupir assim em grande as artérias. Se calhar sou só eu ressabiado por não saber fazer um bolo de iogurte. Mas enfim, Acho que tenho tempo para isso, num futuro ainda distante. Por exemplo, não acho assim tão descabido encontrarem-me com uns 35 anos, enfiado na cozinha, rodeado de tachos e ramekins a chafurdar em manteigas e óleos, a amassar uma qualquer porcaria pegajosa. Pelo meio tenho tempo de enfiar na goela uma dose considerável de álcool só mesmo para, se sair porcaria, um tipo não atirar com aquela mistela pela janela num ato de revolta que pode acabar em tragédia. A Sónia Brazão não conta a ninguém, mas na verdade ela estava só a tentar fazer umas panquecas de aveia. Em todo o caso isto serve para dizer que já estive mais longe de me aventurar a fazer um bolo, especialmente se eles puderem falar por mim e evitarem constrangimentos. É tão difícil acabar com alguém, é mesmo. Daí que às vezes, falo por experiência própria, seja mesmo mais fácil esperar que acabem connosco. Fingimos que estamos destroçados, mas no fundo, lá bem no fundo, até sabemos que foi melhor assim. Em todo o caso a designer Isabella Giancarlo, de Brooklyn, pode dar uma ajuda nestas situações, só não garanto é que cheguem cá inteiros. Eu pelo menos, se fosse carteiro, tratava de desviar o embrulho para benefício próprio, a menos que a mensagem fosse mesmo de fazer chorar as pedras da calçada.

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