30.4.16

Obrigado Taxistas, obrigado Fátinha

Estou mesmo grato pela existência de taxistas, aquele charme natural é insubstituível, não há Uber que consiga igualar tamanha elegância. Conheci uma taxista, a dona Fátima, que era uma jóia de pessoa. As unhas eram pretas e amarelas (duas cores que ao misturar devia dar alguns anos de cadeia) e, como se não bastasse, uns brilhantes que, como dá para imaginar, primavam pela discrição. Eu sei que não é preciso ser taxista para usar unhas de gel daquelas lindas, mas a coisa ganha outros contornos quando se trata desta bela profissão. Já não a vejo há coisa de 5 anos, e tenho pena, mas nunca me vou esquecer dela. Foi mesmo muito útil na minha vida, acreditem, era ela a que levava menos dinheiro (se só lerem esta frase, não é o que estão a pensar), e uma pessoa, mesmo que não quisesse, ficava a saber da vida toda de toda a gente, o que às vezes dava jeito. Até da filha, que, segundo ela, não lubrificava e a coisa estava complicada (isto é tão improvável que parece mentira, mas quem me dera não ter ficado com isso na cabeça estes anos todos). Se soubesse o que sei hoje tinha gravado sorrateiramente todas as conversas, depois escrevia um livro, ou assim. Ela era forte, andava sempre de cavas e geralmente conduzia descalça. Queixavam-se do cheiro, mas realmente não tenho grande faro. Também ouvia futebol e lá tinha eu de fingir que estava interessado no assunto. E, agora que me lembro, quando ela não podia, eu nunca precisava de me chatear que ela mexia os cordelinhos e lá aparecia um outro tipo qualquer para me apanhar em casa e levar até à estação. Não ligava o taxímetro, o que já de si é uma dádiva, para bem da minha sanidade mental que quando tenho MESMO de andar num, hoje, não consigo desviar o olhar daquela porcaria demoníaca. Então em Lisboa é de uma pessoa ir à loucura. Esta guerra toda que ainda ontem entupiu Lisboa fez-me lembrar da dona Fátima, um grande beijinho para si, se estiver a ler isto. Gostava das suas calças tigress, eram giras. Não fique chateada, nunca me despedi de si porque não gosto nada de despedidas, só por isso. Em todo o caso, ó Dona Fátima, se não fosse a classe de taxistas por este país fora, eu nunca tinha ouvido falar da Uber, boa? Não foi a coisa mais inteligente de sempre, pois não, dona Fátinha? Um beijinho de saudades. Ps - quase me esquecia do melhor. Continuo a gostar da música do seu telemóvel - "Mas é tão bom estar com você


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