14.5.16

Operação Marquês

Ainda bem que eu já não vivo no Marquês. Está bem que não vivia propriamente na rotunda, era ali numa transversal pertinho do muito católico Elefante Branco, mas nunca se sabe se uma pessoa está a salvo. Está bem que também tinha travestis na rua com 1.90 de altura sempre prontos a proteger uma pessoa com as suas malas, mas mesmo assim, nunca fiando! A probabilidade de amanhã alguém levar com um petardo na cabeça é grande, e quem diz petardo diz garrafas de cerveja, pedras da calçada, postes de electricidade, semáforos e, dado o acontecimento recente com a estátua de D. Sebastião ali na estação do Rossio, chega a ser provável uma pessoa levar com o Marquês de Pombal no lombo. Era uma aventura, eu não digo que não, mas era chato deixar de existir no rescaldo de dois jogos de futebol. Preferia, sei lá, morrer numa causa mais nobre, mais revolucionária e menos popular. Acho que chega a ser auto-explicativo quando se vai a Fátima pedir para que o clube ganhe, não acham? Diz muito sobre o povo deste belo país à beira mar plantado. Mas este ano isto está mesmo emocionante que até eu vou ter mesmo de ver os jogos! Mas estou a debater-me com uma série de questões interiores... Sendo do Sporting, porque me mudei de Clube quando tinha uns 12 anos (num ato de rebeldia, e vá, também ajudou o Sporting ter ganho o título nesse ano), mas odiando o Jorge Jesus, não consigo esconder a vontade de o ver na fossa, completamente de rastos. Ou seja, no fundo quero que o Sporting ganhe, mas quero ver o Jorge Jesus a espumar de frustração, e ainda, em boa verdade, estou me a cagar para tudo porque tenho mais que fazer. Posto de outra forma, se o Benfica ganhar ao nacional vai ser um regozijo saber que o Jorge Jesus vai estar de trombinhas a desejar nunca ter sido um grande cabrão e ter abandonado o Benfas... Mas em suma, seja qual for o desfecho vai haver molho de certeza, espero é não levar com nada em cima, que mesmo estando a viver na Alameda nunca se sabe.


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