25.5.16

Salvem os Betos da Extinção - parte 2

Os colégios são o habitat natural por excelência dos betos. Claro que há outros sítios onde a espécie se dá bem, basta pensar no CDUL Rugby e aquilo é uma praga... ainda há quem se preocupe com os pombos. O que eu mais acho piada nos betos são os crucifixos ao pescoço. Dá imenso status. Se fosse um gordo barrigudo era só piroso, assim como é beto é charmoso e as raparigas ficam logo a hiperventilar do pipi. No Restelo há betos aos magotes, é vê-los a pavonear-se rua acima. É uma espécie de badoca park onde é possível conhecer o seu nome científico, a ordem e classe a que pertencem, de onde são originários, quais os seus comportamentos e alimentação, e o seu estatuto de acordo com a UBCB (União nacional para a conservação dos Betos). Alguns são raros e não se deixam avistar com facilidade, não senhor. Há uma espécie em particular que conheço bem, espécie com a qual, aliás, eu próprio já estive envolvido num ritual de acasalamento. Foi um perigo. Deixou a medalha de São Francisco de Assís na minha cama, uma bela noite, e a situação não lembra a ninguém. Uma outra vez deixou a mochila na minha cozinha, da Eastpak. Também é verdade que há alturas mais complicadas para estes exemplares, podem passar por fases de rebeldia aguda. Fazem piercings para se afirmar mas geralmente só cantam de galo e continuam a andar em manada, não há nada que disfarce aquele ar de beto aprumado. Podem ter tendência para andar na equitação, dar catequese, ser dos escuteiros ou quererem ser forcados. Vão à missa com regularidade e ai de quem lhe escrever Deus sem ser em maiúscula. Ser beto é como ter pedigree, ser um cão de raça, cuidadosamente cruzado com elementos da mesma espécie para não dar porcaria. A consanguinidade pouco importa. Importa sim perceber a importância desta fauna numa cidade, por isso faço um apelo ao Bloco e ao PS (os comunistas não interessam), para salvarem esta espécie em perigo. Estima-se que a cortar no financiamento aos privados as famílias de bem estejam ameaçadas. É que qualquer dia estão a fazer casacos com a pele dos ditos. Ouvi até recentemente, de fonte segura, que estão já a ser tomadas algumas medidas de emergência como fixar avisos informativos onde se pode ler: "Não alimente os betos". Não chega já a coruja-das-torres, o elefante africano, a onça pintada e os pandas gigantes? Era o que mais faltava.


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