9.6.16

BBC vida Selvagem

Trabalhar em televisão é uma verdadeira selva. Tudo pode acontecer e o melhor é mesmo estar preparado para o pior. Se algo correr mal, podem rebolar cabeças e convém não ser a nossa. Para começar logo em grande trabalhei sete dias seguidos antes de ter os meus primeiros dias de folga! Mas pronto, o que importa é que neste momento estou a desfrutar de magníficos dias de calor e a beber pina-coladas com fartura. Ainda não sei ao certo o nome de toda a gente, quem é quem e, pior, nem sei muito bem quem é o big boss. Como tal, temo que se o encontrar na casa de banho corra o risco de o tratar por tu naquela da amizade. Isto na verdade já me aconteceu, mas num outro sítio, onde além do mais ele ficou a pensar que eu era um verdadeiro idiota: estava a lavar as mãos e depois, para as secar, não havia papel. Ou melhor, haver havia, só que eu tinha de rodar do lado direito e não sabia. Ele esteve imenso tempo à espera que se fizesse luz e, uma vez que eu não conseguia, teve de ir lá solucionar a questão. Posto isto, deve ter pensado que eu era um energúmeno inútil. Entretanto no meu novo local de trabalho: "Opá, vocês vejam lá se rebentam com alguma coisa para ver se isto acaba mais cedo", ouvi eu a poucas horas de me pôr na alheta. Foi um incentivo, mas não era bonito rebentar com a cabeça dele e ser despedido na primeira semana. Há coisas lindas de se ver e ouvir em estúdio. Se soubessem o que os pivots dizem quando não estão no ar, nunca mais olhariam da mesma forma para os ditos. Aquele aspeto aprumado é mesmo só isso. Não se coíbem de dizer rigorosamente nada, até tenho vergonha de citar as suas belas frases mas garanto que as ando a apontar todas. Eu sempre desconfiei que eram uns pacóvios, já devia saber, bastava me lembrar daquela vez em que a Clara de Sousa armada em fina me passou à frente na fila do almoço. Mais giro ainda é eu cruzar-me com elas e não as reconhecer porque não têm maquilhagem no focinho. Isto aconteceu mesmo... Entretanto ao meu quarto dia de trabalho já ouvia, da régie, um belo incentivo: "estes assistentes são uma merda". Já passava da minha hora e quem devia já estar no meu lugar, estava enfiado na Régie a dar graxa ao cágado. Mas enfim, há que relativizar tudo e criar aquela imunidade para não andar à paulada. Para verem bem há uma nova estagiária que já tem cognome e tudo: Rosinha. Por ser parecida com aquela que canta temas lendários como o "Eu levo no pacote", o "Eu Chupo", ou (este é notável) "O meu gato lambe-me a passarinha". Eu nunca a vi sequer mas é assim, por mim podem me chamar o que quiserem, lembrem-se é de cortar a merda do som. 


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