30.6.16

Estou de luto

Perdi um seguidor e entrei numa crise existencial profunda. Não sei bem se conseguirei continuar a escrever mais baboseiras e coisas que não interessam a ninguém, depois de um leitor abandonar o barco. Provavelmente isto significa o fim de tudo, o desvanecer da minha devoção à escrita. Chego a achar que está na altura de me dedicar a fazer renda de bilros ou, quem sabe, a mandar um currículo para a casa da mãe Kikas. Gosto particularmente daqueles blogs em que os seus autores começam a escrever, todos lançados, e depois desaparecem durante uns tempos... mas voltam, e dizem qualquer coisa como, pasme-se: "estou de volta!!", mas na verdade depois disso nunca mais escrevem nada, e desaparecem sem deixar rasto. É mais ou menos isso que vai acontecer com este. Daqui a uns meses farto-me, passo a achar que isto já não tem nada a ver comigo, e é nessa altura que surge o post mais recorrente (e aldrabão) de sempre: "Estou de regresso, nada temam". Nesse come back cheio de adrenalina e entusiasmo, há explicações para todos os gostos, mas geralmente só significa mesmo que não têm a menor paciência para pensar no que escrever e começam a questionar sobre o porquê de estarem a fazê-lo. Eu faço-o por várias razões, nenhuma delas filantrópica, talvez até mais narcisista que outra coisa. Às vezes ponho-me a pensar no que fiz no ano de 2009 e fico chateado porque, lá está, não me lembro e nem foi assim há tanto tempo. Como sou um saudosista do pior que possam imaginar, já me estou a ver estar a ler isto (ou as cartas do FutureMe.org), embevecido e melancólico (provavelmente também embebido em álcool e a mandar um bafo que não se aguenta), mas algures a relembrar os bons velhos tempos e a saber exactamente por onde andava nesta altura (estava a ver o jogo Portugal - Polónia, com os meus vizinhos de baixo a celebrar o golo, primeiro que eu, graças ao delay da MEO). Por essa atura já tenho uns 70 anos (ainda que continue bom como o milho), e já estou mais para lá que para cá, cheio de doenças, mas sempre com um ar jovial. E é isto, estou de luto porque perder um seguidor é como ficar sem um rim, ou sem o baço. Estou de luto porque, em boa verdade, o meu seguidor nunca mais irá ler nada meu e isso é uma grande perda (para ele, pois claro). Entretanto pior que perder seguidores é não ganhar nenhum novo há imenso tempo. Mas fiquem já de sobreaviso: vou deixar de escrever neste sítio quando, depois de não publicar nada durante cinco meses seguidos, fizer um post com o título "estou de volta", aí já sabem, é mesmo sinal que me vou deixar de merdas. 



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