10.7.16

Dói-me a barriga

Estou capaz de vomitar de nervos com a final de hoje frente à França. Uma final é sempre uma final, e seja qual for o resultado, Portugal está de parabéns e essas frases feitas que já toda a gente ouviu, mas que têm muito de verdade. O futebol é muito mais do que um desporto, é também uma metáfora de poder e preconiza, ainda que tão poucas vezes tenhamos total consciência disso, a hegemonia e soberania de alguns países sobre outros. Não é por acaso que a seleção das quinas, ainda que contendo o melhor jogador do mundo, suscite tanto descrédito e desdém. Acreditem que Portugal ganhar a uma seleção como a Alemanha ou, neste caso, a França, colocaria um bocadinho estes países, cheios de si, a saberem quem é que manda nesta merda toda... Temos bons jogadores, capazes e em forma, por isso não nos venham cá descredibilizar com base nas dificuldades económicas, com base em preconceitos daqueles que inferiorizam, que nos olham como os imigrantes que vão para as limpezas e para a construção civil, e afins. Somos esses, somos, com orgulho, mas somos muito mais. Além disso, somos também conhecidos como um povo de brandos costumes, o que significa que se perdermos com os Franceses só vão mesmo levar com croissants em cima, e quem diz croissants, diz também com álbuns da Françoise Hardy, com aquelas porcarias às cores, os macarons, mas também com brioches e com a Joana Vasconcelos; que não é francesa, não senhor, mas que aceitamos fazer a troca: nós ficamos com a taça, os franceses ficam com as obras contemporâneas e, voilá, com a artista! Que lhes parece? Se parecer uma fraca troca, ainda vos oferecemos o Tony Carreira e um pack especial com a ninhada toda e, porque somos uns mãos largas, também podem levar o José Sócrates para tirar um doutoramento. Agora sim, parece-me equilibrado e justo! Jogo às 20:00, final, Portugal-França, com muito álcool e, pelo sim pelo não, encomendei uns desfibriladores cardíacos. 


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