20.7.16

Pessoas nuas em festa

Viver numa sauna tem a sua beleza. Chegar às duas da manhã e enfim, desnudar-me por completo, porque não há quem aguente um trapinho que seja, também tem o seu encanto. Viver num quinto andar sem elevador tem qualquer coisa de catártico. Viver no último andar, que passa o dia a levar com o sol em cima, também tem um lado de tragédia que ajuda à trama intensa que é a minha vida. Às vezes não tenho bem a certeza se vou acordar no dia seguinte. É uma aventura, não digo que não. Há suspense no meu dia-a-dia, porque dormir neste quarto equivale a ficar trancado dentro de um carro, às 2 da tarde, num solarengo dia de agosto - com uns 40 graus à sombra. Aliás, por várias vezes me vem à cabeça imagens daquelas criancinhas que os pais se esquecem delas no carro, sabem? Quem diz crianças, diz o cão ou o gato que, por total negligência dos donos, deram o seu último suspiro dentro da viatura. E se conseguiram suspirar já foi uma sorte porque a probabilidade é que isso de facto não tenha acontecido, limitaram-se a esticar o pernil. Se este calor bronzeasse, eu neste momento era o Obikuelu - é o mais gráfico que consigo ser de momento. O calor também pode afetar o cérebro por isto há tendência para as coisas piorarem. E porque estamos na época alta da silly season (basta olhar para os noticiários portugueses para atestar a veracidade desta afirmação - com notícias sobre morcelas ou pokémons), nada como falar de calor. Este calorzinho adorável é tanto que estou a pensar, para ganhar uns trocos, abrir uma sauna lá em casa. Era sucesso garantido! Não dava era para usar toalhas de todo, os clientes teriam de deixar os pudores e as vergonhas (das suas miudezas) de lado, e estar completamente nus, que é de resto, lá está, a única forma que eu arranjei para conseguir dormir nos últimos dias. (O pessoas nuas em festa era só para atrair mais leitores rebarbados, a minha sauna será para pessoas sérias).


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