11.7.16

Porque hoje ninguém dorme, somos Campeões da Europa!

Ainda no rescaldo do jogo, não se vai falar de outra coisa nos próximos dias, há muito que dissecar. Aquele feeling de que tudo correria pelo melhor, que era inegável, desvaneceu-se pouco depois do início da primeira parte. Sabemos bem o porquê. A traça ainda lá foi tentar dar uma ajuda, mas o melhor do mundo viria, mesmo, para angústia de todos, a abandonar o jogo. Fiquei sem grande ânimo e aquela confiança que pairava, quase inexplicável, mística até, desvaneceu-se... mas só um bocadinho. A azáfama num canal de televisão, num dia como este, em que entrei de manhã, foi muito grande. Convidados a entrar e convidados a sair, onde não dava tempo para aquecer a cadeira. Uns mostrava-se bem mais confiantes que outros e em off the record, um deles em particular tinha um semblante que demonstrava pouco alento. No intervalo do jogo, 0-0, rumei à Alameda e a partir daqui envolve Sexo, drogas e Rock n' Roll... na verdade foi mais caixote do lixo, erva e We Are The Champions. Passo a explicar: pois que acabado de chegar à fun zone, ou zona da diversão, porque o que é nacional é bom... todos os caminhos levavam a lado nenhum (era impossível um tipo mexer-se no meio de tanta gente). Acabei na lateral da tela gigante, mesmo colado a um caixote do lixo, aberto, cheio de sacos e garrafas de litrosas. Tinha tudo para correr bem. Depois, levei com tanta droga pelo nariz acima, de pessoas à minha volta, que me levam a aferir, por certo, que nem o Snoop Dog (ou a Margarida Marante, que Deus a tenha) tinha capacidade de suportar tanto estupefaciente. Senti que a qualquer momento eu podia ser solicitado (à força) para servir de correio de droga e ser obrigado a passar a Alameda com uns 10 sacos de droga no rabo. Às tantas oiço uma rapariga dizer, para o namorado, já nós no prolongamento: "Então mas não faltavam só três minutos", dizia ela, com o rapaz a revirar os olhos e provavelmente a ponderar terminar aquela relação, a lembrar-se das vezes que a mãe lhe disse que ela não era mulher para ele... Uma coisa é certa, aqueles minutos finais foram dolorosos, foi dobrar o cabo das tormentas, foi ver o São Patrício protegido pelos Deuses (ou por uma caga do caraças). Foi não acreditar que aquele momento era real; foi ouvir o We Are the Champions como nunca antes (até porque era, até recentemente, umas das únicas músicas que não suportava dos Queen). Foi ver o Cristiano erguer a taça e pensar, que desfecho incrível desde há 12 anos atrás. Foi ir comer um cachorro e beber cerveja; foi dar um abraço à minha housemate, aquela que não lava a merda da loiça. Foi ver pessoas de todas as nacionalidades e todas as cores a festejar. Foi desejar que não houvesse ali um maluco que se lembrasse de abater uns quantos a tiro ou fazer-se explodir. Foi lembrar-me que Lisboa é grande cidade para se viver. Foi ver o penteado do Quaresma, pensar que, vá, não está assim tão mau, e ponderar fazer igual num rasgo de loucura. Foi ver o Griezmann e pensar: 'já foste'. Foi ver, comovido, a imagem tirada pelo astronauta da NASA e ficar embevecido com a homenagem.  


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