31.8.16

Há filmes do caraças #2

Não é o caso. Quer dizer, é e não é, estou confuso. O filme em causa é o Mulholland Drive que, bem recentemente, encabeçou a lista dos melhores 100 filmes do século XXI. Pois que, para que conste, a dita lista não foi feita ali pelo Correio da Manhã, mas sim pela BBC, escolha que contou com um estendal de 177 críticos de cinema de todo o mundo que colocaram, assim, em primeiro lugar, a obra de David Lynch. Clássico que é clássico, para mim, tem de ser digerido em várias etapas daí que tenha levado 4 dias a degustar a famigerada obra. Gosto de um bom filme de suspense, de mistério, é bem verdade. Mulholland Drive tem isso tudo! Há ali sempre a pairar um frenesim de ansiedade para juntar as peças todas, que nunca se esgota. Só que depois aparecem os créditos finais. E sabem qual é a grande merda? É que uma pessoa passa duas horas a tentar juntar o impossível, onde nada, rigorosamente nada, acaba explicado! Revolta-me, pois é evidente. Eu não sei se já falei aqui, algures, sobre o Talented Mr. Ripley, provavelmente um dos meus filmes preferidos. Que é de mistério, que deixa uma pessoa de nervos em franja e completamente siderada a tentar colocar-se na cabeça de um psicopata enquanto este se vai afundando cada vez mais. Mas é perceptível e diga-se de passagem que, depois de ler o livro em inglês, me apraz dizer (desculpa, Patricia Highsmith) a adaptação cinematográfica superou em muito o livro. Para quem conhece, no filme, (SPOILER ALERT) o Tom Ripley mata acidentalmente o Dickie, ali sob um turbilhão de raiva que o está a consumir e vá de lhe rachar a cara com o remo. No livro, ao invés, aquilo parece tudo demasiado premeditado e, por isso, chato. Em todo o caso, o Mulholland desilude. O filme faz me lembrar, e vem daí uma associação provavelmente descabida, uma música dos Toranja que nem o gajo deve saber o que está para ali a balbuciar, em que o objetivo máximo é ninguém perceber nada, e quanto menos se perceber, melhor parece ser. É que depois acabei a ler as críticas ao filme e, nenhum sabe descodificar o filme (Uh, que surpresa!). Há uma coisa que me deixa angustiado, seja em que filme for: é o inicio onde ainda não consigo entender a trama e ando ali, pouco envolvido porque ainda não percebi o propósito mas que, regra geral, lá vou colmatando essa falha com o passar do tempo. Pois isto nunca chega a acontecer em Mulholland, não senhor! Senti-me ignorante do principio ao fim. Senti que não deu para cozer tanta ponta solta e fiquei frustrado. Agora, pontos positivos: a representação é interessante, tirando ser um bocado estereotipado e as duas personagens serem as boazonas que depois ainda por cima acabam a saltar em cima uma da outra. Tudo o que é intelectual acaba com duas mulheres aos beijos, ou por aí fora, como se fosse algo chocante. Não fiquei traumatizado, já vi La Vie d'Adèle e, meus amigos, Mulholland Drive é um filme para putos do infantário verem no recreio enquanto enfiam os dedos no nariz e comem lápis de cera, ao lado das cenas tórridas entre a Léa Seydoux e a Adèle Exarchopoulos. Em todo o caso há um punhado de cenas realmente boas, com a Naomi Watts mas que, lá está, não levam a lugar algum. Verdicto final: o filme é sobrevalorizado mas deixa-me a querer (estarei louco??) repetir a dose. 


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