29.9.16

awkward as fuck

Houve uma fase, talvez por volta dos 13, 14 anos, por aí, que qualquer coisa era suficiente para me deixar embaraçado. O que era estranho, porque até essa altura eu é que colocava, e gostava, de ver as pessoas em situação de desconforto. Hoje em dia, ainda tenho facilidade de corar e quando dou por isso transformei-me num tomate chucha. Uma metamorfose que nem sequer faz muito sentido, em boa verdade. Ora no outro dia, a minha colega de casa (a quem darei o nome Cruela, porque não lava a loiça e é autoritária, e fuma na cozinha a seu grado e belo talante...) disse que tinha feito umas massas e que as tinha deixado em cima da mesa da cozinha. Está tudo certo. Só que, quando voltou, conta, metade das massas tinham desaparecido! Agora, não fui eu que as tirei, obviamente, para que fique já claro, mas não é que fiquei encarnado como se tivesse sido eu a fanar o raio das massas?? Depois ela lá disse que tinha sido por certo a Maria, até porque nesse dia eu estava de folga e não estava em casa! Se ainda não chegaram lá, eu explico: Conseguem perceber a gravidade deste cenário? Imaginem-me a depor numa situação em que sou o principal suspeito mas estou para lá de inocente: "Assaltou ou não assaltou, à mão armada o Novo Banco em Chelas??". Não assaltei, não haveria nada para roubar, mas ficaria de tal forma corado que já estava condenado a prisão perpétua. Ou imaginem que eu estava em Nova Iorque, a passar descontraído no corredor do hotel InterContinental e que o Renato Seabra tinha escapado sorrateiro pelas escadas de serviço... a esta hora era eu que estava a apanhar sabonetes.

Das situações mais embaraçosas que me lembro de passar, uma delas, tragicamente está sempre relacionado com a minha mãe e almoços onde, na televisão, apareciam lésbicas aos beijos. A pior de todas, a mais trágica de sempre, aquela que ainda hoje me deixa com um leve rubor só de me lembrar... aconteceu quando, há uns tempos, a RTP2 andava a emitir uma série documental sobre a escola de artes Julliard. Andava a querer seguir até ao ponto de meter despertador para ver tal era a ânsia. Foi, contudo, o pior erro da minha vida. Pois o que é que acontece no momento em que mudo?! Estavam dois rapazes a fazer uma cena tórrida, em que há beijos, língua e, como se isso não bastasse, começam a meter a mão em todo o lado, a tocar em várias partes do corpo, inclusive lá pelo meio das pernas. E pronto, estava eu e a minha mãe a ver isto, tendo em conta que eu andava há dias a dizer que queria mesmo ver aquilo... e por aquilo ela entendeu que eram dois gajos no comilanço. Estivemos uns longos e terríveis 3 minutos a ver, comigo a rezar para aquilo acabar. E acabou... com ela a levantar-se, a ir baixar as persianas e a soltar um amoroso "Era isso que querias ver?? Era??". Depois foi-se embora, e foi precisamente nessa altura que eles se largam, e que a turma bate palmas, com um a contar que nem era gay. 

Sigam o meu conselho de pessoa com experiência: evitem ver televisão com os vossos pais. Especialmente documentários na RTP2, filmes sem lerem muito bem a sinopse, ou mesmo algumas novelas armadas em vanguardistas. Caguem nos momentos enternecedores e intelectuais em família, a menos que a vossa mãe seja a Cicciolina ou o Carlos Cruz... evitem momentos que vos vão traumatizar para a vida. Eu hei-de estar prestes a esticar o pernil e juro que vou ter um flashback desta cena na minha cabeça. É que uma coisa é verem o anúncio ao gino-canesten a falar do vírus de nome "cândida", ao imodium-rapid, outra coisa é verem programas de escolas de arte e representação onde é tudo depravado.




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