27.10.16

10 anos de Back to Black

Comecei a ouvir Amy Winehouse quando tinha 16 anos. Ainda não se ouvia falar dela mas, em boa verdade, não faltaria muito até se tornar na figura que me viria a partir o coração, de desgosto, quando veio ao Rock In Rio num estado deplorável. Estávamos em 2007 e eu, com os planos furados de a ir ver, assistia a tudo na SIC Radical, no final já a dar graças a Deus por não ter ido. Depois do famigerado concerto, admito ter deixado de ouvir Amy... e porquê? Na minha cabeça desconfiada, não fazia sentido algum, que alguém, com o apelido Winehouse, que bebia desbragadamente, não passasse de um produto da industria musical. Eram demasiadas coincidências. Estava desiludido e já não queria saber.

Ouvi o Frank vezes sem conta até sair o Back to Black e, confesso, ter de escolher entre um e outro é como decidir de qual dos filhos se gosta mais. Mas que se lixe... é do Frank. You Sent Me Flying será sempre um hino às desgraças amorosas que lhe assolaram a vida, e às minhas também. Know You Now a trilha sonora do momento em que andei no flirt com um melómano que, por sinal, era fã de Amy e que me fez voltar a ouvi-la novamente, estávamos no gelado dezembro de 2010. I Heard Love is Blind, a primeira música que consegui tocar como deve de ser na guitarra e a qual toco, neste momento, até de olhos fechados. There is no Greater Love, um clássico jazz que só reflete as influências soberbas da espalha-brasas. In My Bed, que podia muito bem estar a falar no hit da Mónica Sintra, vamos lá desabafar, faz-me é lembrar daquela vez em que me partiram o coração por completo, quando recebi uma mensagem com um trecho da letra "It's something I know you can't do, separate sex with emotion" e que, apesar de me trazer péssimas memórias como o caraças,  e de querer cortar os pulsos com a faca de serrilha, também aprendi a tocar; foi sempre a descer depois de ter recebido a tal mensagem. E claro, impossível não mencionar Take The Box e Mr. Magic, que a malograda Amy escreveu com toda a sapiência de uma miúda de 20 anos.

Mas Back To Black, álbum que a catapultou para o (talvez descomedido) reconhecimento, que comemora 10 anos precisamente hoje, não fica muito atrás de Frank. Posso já ter ouvido mil vezes mas nunca me cansarei de clássicos (pois é disso que se trata), como o pouco reabilitado (e não menos bom por ser tão conhecido) Rehab, o problemático You Know I'm No Good, o fatídico Just Friends, o destroçado Wake Up Alone ou o inestimável Love is a Losing Game. Sabia, como poucos, rentabilizar o turbilhão de sentimentos num punhado de canções. Brutalmente honestas e, como estas, não haverão mais. Posto isto, está mais que na altura de me ir enfrascar. 





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