2.12.16

Cenas Ridículas no Emprego, episódios especiais

Nada como estar de folga a pensar no trabalho. Em especial na porcaria que às vezes faço ainda que, e isto parece um contra-senso, já me tenham chamado de Merkel, por nunca me terem visto a dar cabo de um qualquer programa em direto, como de resto é apanágio dos demais. É certo que nunca meti em causa o trabalho de ninguém, mas não deixei de fazer asneira da grossa. Quando isso acontece, fico logo cheio de confiança para enfrentar o mundo e chego a pensar qualquer coisa como: "Bem, estou aqui, estou a ser promovido... sou mesmo bom!!". Geralmente é, em vez disso, para dizer a verdade, uma série de palavrões a fazer eco dentro da cabeça, ainda que às vezes lá saia um ou outro, até porque em televisão todas as alarvidades são permitidas dizer, só não podem é ir para o ar. Então, para além de não ser convidado para o jantar de natal e de ter ficado a saber desse grande evento social por estar a ouvir conversas alheias, também não faço parte da lista de contactos geral da empresa (ainda que pessoas que chegaram depois de mim, estejam efetivamente lá), e eu pergunto-me, porquê?? Será que foi pelas tragédias que já me aconteceram???

A minha primeira merda a sério, aquela que ainda hoje me deixa metade de mim a rir enquanto a outra metade está cheia de vergonha foi quando, e passo a contar todos os deliciosos pormenores desta saga, transformei o estúdio num caldo. Lembrei-me de levar sopa, canja, para o estúdio mas, e porque nem é raro de acontecer... esqueci-me da colher e nisto vá de beber o caldo da única forma possível, pelo belo do tupperware. Só que nisto as massas, cuscus, não deslizavam e por isso se foram amontoando no fundo, todas muito juntinhas, muito amigas umas das outras. Acontece que estávamos a uns meros 5 minutos de ir para o ar, de começar o jornal, e achei por bem arrumar o raio da canja, pois era evidente. Só que em vez disso aconteceu uma tragédia... já que enquanto eu escondia a merda do tupperware, que nem chega a ser da marca tupperware, mas da vileda (como assim a vileda não tem só esfregonas??), resolve bater no MONO (o mono é um móvel que tem televisões e outros acessórios e bugigangas necessárias à função). O horror estava instalado e quando dei por isso tinha a carpete preta (enorme) cheia de massa cuscus por todo o lado possível e imaginário. A qualquer momento entraria o pivot e eu só pensava como iria fazer a merda do cuscus desaparecer em dois minutos. Claro que não só eu não consegui apanhar tudo antes do pivot chegar, que assim que viu aquilo soltou um "eish, o que é se passou aqui, Magalhães???", como passei 40 minutos do jornal a apanhar cuscus por cuscus, enquanto ele lia as notícias e me via naquela figura. E isto até pode, assim de repente, não parecer dramático, mas foi. Ver aquela quantidade de massa voar, em slowmotion, por todo o tapete, preto, foi suficiente para pôr fim à minha reputação. E como se não bastasse, ainda houve caldo, aqui e ali, para limpar. Se ainda não visualizaram bem todo o cenário de guerra: imaginem um gajo de 4 a apanhar cuscus. Nunca mais comi naquele estúdio, foi remédio santo... mentira, que ainda ontem comi um cozido cheio de molho.

A mais recente foi menos trágica, embora não menos embaraçosa. Estava uma caixa de cartão cheia de pilhas usadas e eu meti na cabeça que as tinha de ir meter no pilhão. Agarrei a caixa pelas abas e, no meio do corredor, com um jornal a acontecer, a parte de baixo da caixa abre-se e quando dou por isso houve todo um contacto sonoro de umas 40 pilhas com um chão de madeira flutuante. Era o apocalipse, pensei eu, e pensaram o mesmo as pessoas que foram espreitar o que raio tinha acontecido. E pronto, acabei mais uma vez de rabo para o ar a apanhar tudo. As pessoas que apanharam os sustos das suas vidas, e que foram espreitar se alguém tinha falecido, não se dignaram a apanhar uma única pilha, nem por solidariedade. Pois está certo, obrigadinho.

Outro dos catastróficos acontecimentos foi quando me tentaram fazer um arranjinho com uma rapariga da edição. Eram seis da tarde e, de repente, ouvi a realizadora dizer qualquer coisa como "A (nome da gaja da edição), quer falar contigo". A minha primeira reação foi pensar: "mas eu não fiz nada!!!!", a segunda foi: "Mas... Quem é essa???". Durante o jantar, cujo objetivo era juntar-nos, senti-me num interrogatório judicial de um qualquer crime passional no qual era o principal suspeito. "Então e, como é que está o teu coração?", ou depois de garantir que estava na mais bela parelha romântica... "isso já dura há quanto tempo? Está tudo bem?? Estás feliz??"; no meio disto tudo vi-me obrigado a mentir desbragadamente, a dizer que estava felicíssimo, há dois anos, e que não queria outra coisa. Ainda tive de inventar o nome da dita e a idade, o que, sobre pressão, não é tão fácil como pode parecer. Entre mentir e ser recambiado para um date com uma rapariga que parece a Simara, ainda que com menos 70 kilos, vi-me na obrigação de me armar em pinóquio.  




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