15.12.16

Tradição de Natal

Tenho por hábito (ok, para dizer a verdade só começou o ano passado), de oferecer um presente a uma criança com o qual não tenha relação, que não seja próxima. Idealmente seria assim algo do género: comprar e entregar à primeira criança que se cruzasse comigo na rua. Acontece que, nos dias que correm, isso podia ser no mínimo estranho e as pessoas pensarem que era uma bomba, ou que a queria raptar e violar e sabe-se lá que mais. Posto isto, como não almejo ser o próximo Carlos Cruz, no natal passado, fui comprar um presente da Lego e, como não sabia exactamente a quem entregar, pensei facilitar esta primeira edição e encontrei a solução de oferecer a um vizinho, a um puto que nem sequer tem assim grandes possibilidades, claro. A coisa passava por ser algo completamente anónimo até para evitar constrangimentos de ambas as partes, por isso ele não saberia de todo de onde aquele presente tinha vindo. Eu gosto de dar presentes, coisas que eu próprio gostaria de receber (sim, não me importava de receber um carro da LEGO, vou admitir) e, posto isto, nunca é a primeira coisa que me aparece assim à frente. Estive ali a escolher e a pensar no que é que ofereceria ao fedelho que ele gostasse e ficasse todo feliz da vida. Eu pelo menos teria adorado que alguém se tivesse lembrado de me fazer o mesmo. Ainda aceito, também não seja por isso!!

No dia 24, antes de ir passar o natal com a minha família, sem ninguém ver, coloquei o presente na porta do fedelho. Estava feito. Rigorosamente ninguém ficou a suspeitar da minha façanha altruísta e eu fiquei a sentir-me uma verdadeira Madre Teresa de Calcutá, com a sensação de que mais cedo ou mais tarde iria ser canonizado. POIS ACONTECE QUE... Há coisa de um mês, o tal rapaz, que me adicionou no facebook, perguntou-me se eu estava em casa e disse que não nos víamos há algum tempo. Achei fofinho, ainda que não o queira cá em casa, muito porque ele é um chato de primeira. Então disse que não, que estava em Lisboa, com muita pena minha. Foi quase um "Oh, gostava muito, mas não quero". E nisto perguntei-lhe, porque estava curioso, se ele tinha gostado do Lego que recebeu, e não é que o puto indagou: "ya, mas não me lembro, o que era?". desculpa????????? Olha, o estúpido!!!!!! Espero que não tenhas presentes nenhuns este natal, para não seres parvo. Acabou-se a tradição. Pachorra pa criancinhas. E pronto, foi assim que me tornei no Grinch.


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