26.1.17

Adeus À Senzala Portuguesa

Eu até era gajo para, de quando em vez, ir até à Padaria Portuguesa. Ia muito porque, a caminho do trabalho, naqueles dias em que acordava tarde e, à pressa, não tinha tempo para tomar o pequeno almoço, nada como comprar logo e correr pelo bairro alto com os bofes à boca para não chegar atrasado. Então lá tirava eu uma senha para levar comigo um café do tamanho da minha cabeça - o necessário para sobreviver -  Mas recuso-me a voltar, não vou mais. Não vou porque me indigna a prepotência. E isto é muito bonito - pessoas revoltadas com o que disse o caro Nuno Carvalho sobre aquilo que considerava ideal; Como se o grupo Impresa não apoiasse estas ideias, como se o Pinto Balsemão não defendesse os mesmo ideais, como se o grupo não se aproveitasse à descarada de estagiários que, alguns, idiotas, ou desesperados, se disponibilizam para pagar 5.000 euros para fazerem uma pós graduação e passar pelas várias publicações e canais do tio Balsas para, claro, não terem hipóteses de ficar - por melhor e mais competentes que sejam, não compensa ao grupo. Por isso este diretor-geral é realmente só mais um traste que se serve de escravatura para poder encher os bolsos. Segundo ele, deveria existir uma legislação laboral que promovesse a produtividade e que permitisse aos colaboradores, a.k.a, "massa salarial", ganharem mais dinheiro com o crescimento da empresa. Isto por meio de contratações, despedimentos e horas extra mais flexíveis. Mais ainda? As horas extras já não são pagas para milhares de empresas, ou sou eu que vivo num mundo laboral paralelo? 

Citando a mais recente entrevista que o pomposo deu ao Expresso, depois das suas primeiras declarações, diz que às seis da tarde desliga o telemóvel e vai descansar do dia de trabalho. A malta da padaria não deve poder dizer o mesmo. "[A jorna laboral] não deve estar fechada a 40 horas semanais só porque a lei o diz. Tem que se pagar horas extra com volumes consideráveis de acréscimo de custo que penalizam as organizações". Hmm, conta-me mais...

Voltando a citar, porque isto é demasiado bom... à pergunta "Qual vai ser o impacto do aumento do salário mínimo nas contas deste ano?", o caríssimo respondeu: "150 mil euros". Assim de repente é puxado, é sim senhor! Eu ficava a dever àquela gente toda. "Quanto é que faturaram em 2016", perguntou a jornalista, cuja resposta foi, do nosso ilustre amigo, a seguinte: "26,3 milhões. Este ano esperamos chegar aos 38 milhões". Ordenado médio, o querido diz ser de 695 euros. É preciso dizer mais alguma coisa ou está tudo dito? Façam as contas, como dizia o outro.

Vou começar a acordar mais cedo ou a fazer o lanche eu próprio, por muito que me custe. Não vou voltar a entrar na Senzala Portuguesa. Eu não sou eu quando tenho fome, mas nem o monstro que me possui nessas horas de mais aperto, está disposto a compactuar com tamanha displicência e sobranceria!!!! A menos... bem, a menos que me apeteça, mas mesmo MUITO, um pão com chouriço. Mas entro com archotes, pronto a queimar aquilo e aproveito e aqueço o pão, que a massa assalariada recusa-se a fazê-lo.








3 comentários:

  1. Pois sim, é verdade. Mas aquela tarde de oreo e lima...

    ResponderEliminar
  2. E, não querendo ser picuinhas e má: apoiasse. :p

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que erro crasso imperdoável, devia ser banido para todo o sempre, impedido de escrever e levar duas pauladas bem dadas, com um dicionário. Obrigado!

      Eliminar