3.1.17

Há filmes do caraças #3

The Rules of Attraction 7/10

Parece que foi ontem que estava aqui a falar do Prince. De como não era dos meus artistas preferidos porque, ainda que lhe reconheça todo o mérito artístico, não me revia na figura; nem nas músicas, à exceção da tal que me fartava de dançar em festas, enquanto bebia como um cacho. Ora, o mesmo se aplica um bocadinho ao George Michael. Nem é por não ser da minha geração, ou por todos aqueles vídeos que nos parecem datados, porque nada tenho contra fósseis. Dele lembro-me particularmente de ver, quando ainda era um puto, ao folhear uma revista num consultório de um dentista, uma notícia que me pareceu um grande escândalo e do mais pecaminoso que podia haver, socialmente falando. Na verdade seria algo normal que a revista estava só a enfatizar para vender, pois está claro. Em todo o caso não era fã de George Michael, mas lá está, há aquela música que me faz lembrar os tempos áureos em que me embebedava dia sim, dia sim, ao som de grandes clássicos, no qual Faith, do George, estava por certo incluído na playlist. De ressalvar que não tenho problema algum com bebida, até porque as minhas ressacas não permitiriam tal vida decadente, por isso, por mais que gostasse de ser o Bukowski, não dava. 

Hoje resolvi rever um dos meus filmes preferidos dentro do género: tempos de faculdade, promiscuidade, festas e ramboiada da grande. Chama-se The Rules of Attraction e conta com alguns atores conhecidos, como o Ian Somerhalder, Jessica Biel, James Van Der Beek, Kip Pardue ou Kate Bosworth. Foi neste filme que conheci o tema faith, do George, isto para contextualizar. O filme é de 2002 mas retrata, ainda que pouco evidente, o final dos anos 80. Não é um filme particularmente aclamado pelo Rotten Tomatoes, mas, e agora que o revi, tenho de reconhecer que não é o melhor filme de sempre, ainda assim é emblemático pela forma crua e realista com que fala das relações humanas, sem rodeios, sem paninhos quentes. É desregrado e nada tem de politicamente correto. Chega a ser embaraçoso em algumas cenas. Ainda assim não defrauda. No que toca à componente visual e à técnica usada nas cenas, é soberbo.  E no que toca à banda sonora, foi escolhida a dedo. Basta saber que tem a Six Different Ways dos The Cure (Se tivesse a Boys don't Cry nem sequer falava deste filme); e depois tem ainda a Out of The Races And On To The Tracks, dos The Rapture; depois, porque a lista é vasta, mas só vou mencionar mais duas, está a pirosada Afternoon Delight dos Starland Vocal Band e a adorável Colours do Donovan...

A trama desenrola-se em torno das várias personagens, das embrulhadas em que estas se metem, dos desgostos, dos momentos desbragados, das lamurias e das desilusões de malta que ainda não sabe ao certo o que quer da vida (mais ou menos como eu). Das minhas partes favoritas, está aquela cena em que a Lauren, porque quer a todo o custo controlar a libido e guardar-se para o namorado (que na verdade não lhe liga nenhuma), recorre freneticamente a um livro onde se vê uma série de pénis com doenças várias. Se o filme tivesse sido rodado hoje, acho que optavam por uma visita rápida às imagens do google, era provavelmente mais eficaz. Em todo o caso há mais cenas interessantes, ou pelo menos politicamente incorretas com fartura. Está longe de ser uma comédia romântica e está longe de ser consensual na crítica. Acho que chega a ser sobretudo uma anti-comédia romântica, uma sátira às frívolas relações num tempo em que ainda nem existia tinder. Está lá o faith do George Michael e faz mesmo pandã com a irreverência do filme. 


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