4.2.17

La La Land, a decisão final




Eu disse aqui coisas muito pouco laudatórias sobre o filme. Mas, como tinha deixado claro, só tinha visto as duas primeiras cenas - estava longe de poder tecer grandes considerações. Não mudei de ideias no que toca à sequência inicial, vamos lá ser sinceros, estas são realmente más e nisso não há volta a dar - ver pessoas a dançar na auto-estrada não me parece nada bem! Ainda assim a música de abertura não me sai da cabeça, parece uma praga. Uma praga à qual eu permito que se propague, já que ainda hoje decidi que seria boa ideia ir ouvi-la outra vez. E outra. E mais umas quantas seguidas. 

Damiel Chazelle já me tinha surpreendido com o sóbrio e forte Whiplash, filme de 2014, com o ator Miles Teller e J.K Simmons a fazerem uma dupla monstruosamente boa. Também neste uma ligação à musica, com um aspirante baterista a sofrer na pele a pressão e, profunda obsessão, num enorme e conceituado conservatório de música. O que eu não sabia era que Chazelle se viraria para o musical anos mais tarde, ainda para mais desta forma: sequências efusivas de danças em que as personagens planam, sapateado a fazer lembrar Fred Astair e, lá está, uma parelha romântica dançante. Gostei muito de Whiplash, ainda que lhe sinta alguma falta de consistência à mistura (e nisso esta em concordância com La La Land), mas quem vê os dois filmes, não pensaria que fosse do mesmo realizador.

Saibam desde já que eu não embirro com musicais. Um dos meus filmes preferidos é um musical. Pois é. Francês, para piorar as coisas. Les Chansons d'amour arrebatou-me. Mas não foi o único. Basta pensar no 8 Femme de François Ozon, Across The Universe com a Evan Rachel Wood a cantar It Won't be Long dos Beatles.... Já para não falar no Singing in the Rain, clássico absoluto! Ou no filme The Wizard of Oz, que tem por lá umas cantilenas orelhudas que toda a gente trauteia de quando em vez. E quem é que não se lembra de ver o Sister Act II, com a Lauryn Hill??? Por isso, se eu não gostar de La La Land, nada tem que ver com a miríade de notas musicais que constam em pouco mais de duas horas de filme. É que, aliás, se há coisa que eu gostei em toda a trama, foi a referência ao Jazz, mas já lá vamos.

O filme começa a ser interessante lá para o meio. Tive de esperar bastante até sentir uma química qualquer. Até então foi realmente algo morno, muito morno. Ainda assim gosto, e porque no fundo isso é a grande pólvora da trama, daquelas grandes frustrações todas em torno da busca incessante, e tantas vezes inglória, de um futuro que faça jus aos nossos ideais. As audições que são um falhanço total e as coisas que temos de fazer para conseguir pagar a renda da casa... que de resto é o que o malogrado Sebastian (Ryan Gosling), tem de fazer - tocar musicas de natal, nomeadamente o Jingle Bells, quando na verdade preferia, por certo, estar a tocar Round Midnight de Thelonious Monk, ou, In a Sentimental Mood, de Duke Ellington. Já Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz cujas audições são verdadeiros fiascos. O pior disto tudo é que a minha cabeça depois lembra-se que na realidade ela já é atriz, e fazer de atriz sem sucesso é só irónico e irritante - ela deve ter amealhado uns milhões com esta pequena brincadeira. 

Então, isto para ser o mais sucinto possível: Gostei das referências aos grandes clássicos como o filme Rebel Without a Cause; gostei da melodia que o Ryan Gosling está constantemente a tocar (a qual faz despoletar todo um simbolismo da parelha romântica); gosto da cena do cinema; gosto do sapateado ainda que não acrescente nada de novo, nem seja particularmente empolgante; gosto quando vão até ao planetário que é de resto mais uma referência ao grande filme que junta James Dean e Sal Mineo; Depois também gosto, e isto acho que é o mais importante... do final!!! O final é a derradeira parte que me faz gostar do filme. É um final pouco expectável, aberto e verdadeiramente acutilante. Só pelo final vale a pena ver. No que toca ao pior do filme: o acting do Ryan Gosling, que não é mau, mas também não é bom. O acting da Emma Stone, que não tem culpa, já que o papel não permitia grandes manobras; a cena musical com o John Legend - do piorio; aquela segunda cena, que consegue ser pior que a primeira, com as 'amigas' da Mia - tão amigas que nunca mais aparecem no resto da trama;

Previsões: Não vai ganhar tantos Oscares como tudo parece indicar. O final continua a ser soberbo e trágico. Fez-me lembrar toda a minha trágica vida amorosa. Vou beber para esquecer.





Sem comentários:

Enviar um comentário