19.2.17

O pânico, o horror!

Quem alguma vez veio a este blogue, decerto já deu de caras com alguns erros 'hortográficos'. Acontece. Detesto, mas às vezes tenho tanta pressa de publicar que só depois, quando vou ler convenientemente, é que lá dou com erros absolutamente impensáveis. Também já li muitas asneiras por esses blogues fora, nada de novo, nada que leve muito a sério. Quer queiramos quer não, a escrita é apenas uma convenção. Ou seja, os meus caros leitores acham que eu sou uma grande merda a escrever. Acontece que o que vocês não sabem, é que eu sou muito pior a falar em público. Acho mesmo que tenho glossofobia. Assim de repente até parece que tenho medo de usar um gloss nos lábios de quando em vez. Mas não, disso não tenho. O que eu tenho mesmo pânico é de falar em público. Não é que não o faça, não é que não tenha acontecido um milhão de vezes na faculdade, só que me tira noites de sono. 

Para ilustrar na perfeição esta minha fobia de estimação, contar a história de uma certa apresentação fatídica. Então, depois de descobrir a maravilha dos efeitos da cocaína... MENTIRA, do Valdispert Stress, a minha vida mudou. Nessa primeira vez que enfiei goela abaixo uns 6 comprimidos, eu estava ao rubro, imparável e estava capaz de tudo: já me imaginava a fazer conferências TED e pelo meio fazer o pino. Geralmente a ansiedade era tanta umas horas antes do confronto, em que eu começava com suores frios, a tremer por todos os lados, etc e tal. SÓ QUE, nesse dia, em que percebi as maravilhas do Vavá (para os amigos), com uma apresentação às 9, eram 5 da tarde e eu já estava a dar tudo. Todo eu flutuava, todo eu era leveza, todo eu estava sedado. 

Com ansiedade 0, lá entrei na sala com uma confiança inabalável. Cheguei para arrasar. Sentia-me em casa, era tudo meu. Achei por bem deixar a malta toda passar-me à frente. Eram muitos. Chegou a uma apresentação que era tão boa, mas tão boa, que a professora até disse que aquilo dava uma tese de Doutoramento. Comecei a ficar com inseguranças. Começo a analisar o meu trabalho e a comparar. Começo a entrar em pânico. Começo a ficar com tantas duvidas que fingi uma chamada e pus-me na alheta. Sou perito em fingir chamadas. Fugi. O Vava não tinha deixado de fazer efeito, eu continuava ao rubro, só que a minha confiança tinha ficado na rua da amargura. No final do semestre acabei por saber que tive 17, exatamente a mesma nota da malta que tinha o tal 'trabalho ao nível do doutoramento'. 

ISTO PARA DIZER O QUÊ? Que recebi esta mensagem de um professor: "(...) Pergunto-lhe se estaria disponível para ir na segunda-feira (20)  pelas 18 horas, à minha aula de mestrado apresentar os seus trabalhos aos alunos deste ano. Cumprimentos (...)". EUUUU???? Pronto, na quinta já só sonhei com isto, na sexta a mesma coisa, no sábado idem e hoje estou com o estômago a latejar. Eu sei que tive uma boa nota, mas este convite chega de um professor que usou a palavra Hubris, para qualificar os meus trabalhos. Significado do vocábulo: É um conceito grego que pode ser traduzido como "tudo o que passa da medida; descomedimento" e que atualmente alude a uma confiança excessiva, um orgulho exagerado, presunção, arrogância ou insolência (originalmente contra os deuses), que com frequência termina sendo punida (...). 

Pronto, estou na merda. Mas, nota mental: Nunca fugi de nenhuma apresentação, por pior que estivesse, o que me leva a ter certeza que nada de Valdispert na minha vida!!! Custe o que custar, diga a merda que disser (sim, geralmente nem me lembro das baboseiras que disse...), vai ser com o lema: SAY NO TO DRUGS (só à coca). 




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