11.4.17

Há filmes do caraças #4

Estou de férias e tenho feito o que de melhor sei fazer: fingir-me de morto. Não me batam mais, vou deixar de procrastinar (o último comentário foi a gota de água nesta minha inércia desmedida). Decidi ver este filme, de 1988, ano em que eu ainda nem existia, muito pela minha mais recente obsessão pelos anos 80 e 90. Running On Empty é daqueles filmes que nos deixam embevecidos e nostálgicos, que nos fazem lembrar um tempo em que os filmes não eram em HD, não estavam ensopados de efeitos especiais, e que tinham aquela simplicidade de argumento raro nos dias de hoje. Sem grandes artifícios, onde menos é definitivamente mais. A trama centra-se numa família que se envolveu em protestos contra a guerra do Vietname e bombardeou, causando vítimas, o laboratório de Napalm. Por isso, com o FBI à perna nos últimos 16 anos, veem-se a ter de mudar de cidade constantemente, de nome, de aparência e a não conseguirem estabelecer grandes laços com quem se cruzam pelo caminho. 





A fotografia é soberba. Desde logo sem grandes preocupações estéticas e, lá está, isto é o verdadeiro lado genuíno deste filme, cujo realizador, Sidney Lumet, sobretudo conhecido pela adaptação de Um Crime no Expresso do Oriente (com a atriz Lauren Bacall e com a Ingrid Bergman), parece ter idealizado. Dos penteados, às casas, aos emblemáticos óculos do promissor River Phoenix (sim, irmão do Joaquin Phoenix, que viria a morrer com apenas 23 anos na discoteca do Johnny Deep); as roupas e as meias brancas. Até as permanentes estão onde deviam estar! Já para não falar na banda sonora, que é de fazer chorar as pedras da calçada. E a cena em que eles cantam e dançam todos ao som de Rain and Fire do James Taylor??? Não aguento... Tudo junto faz-me considerar este, por certo, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Daqueles que apetece ver vezes sem conta até chegar ao ponto de já sabermos falas e a sequência das cenas de trás para a frente.



Depois deste filme já vi uma série de outros parecidos, mais ou menos com as mesmas referências, uns com melhores histórias que outros: The Breakfast Club, de 1985, grande percursor da praga de filmes High School que se lhe seguiram; Stand By Me, de 1986, também com River Phoenix bem mais pequeno numa adaptação de um argumento de Stephen King; e Heathers, também de 1988, com a atriz Winona Ryder a dar uma de rebelde assassina e altamente subversiva. Dos anos 90 também há bons, mas pelo que constatei, dificilmente algum vai ser tão bom e tocante como este. Chorei no fim, pois está claro! Se não verterem uma lágrima ou outra que seja no final, então muito provavelmente é porque são uma cambada de insensíveis sociopatas. 


Entretanto eu, que andava perdido de todo, sem saber ao certo que armações de óculos deveria usar, já sei! Sim!!! Vão ser parecidos com estas do River. Não tão grandes, calma, mas só porque são particularmente difíceis de encontrar. Corri Lisboa toda à procura e nada. A maioria ficava a olhar para mim com cara de quem nunca viu uns granny glasses na vida. A única loja em que encontrei uns verdadeiros rim wire glasses, eles até só custavam 60 euros, mas eram de uma marca bastante duvidosa, facto que me levou a optar por uns Ray Ban descontinuados. Ainda assim, já vejo algumas pessoas a usa-los, o que me faz pensar que pode estar aí um grande regresso aos loucos (e adoráveis) anos 80. Sinto que estão aí a fervilhar.









Entretanto acho que estou perito em óculos, depois de experimentar de todos os géneros que possam imaginar. A quantidade de informação que li deveria dar equivalência a um mestrado em óptica. A Lusófona e a Católica tratariam disso, por certo. Enfim, digam adeus aos óculos retangulares e pesados de massa!! Será que já posso andar com uma t-shirt branca por dentro de umas Levis 501, all stars, sem ser absolutamente ridículo, ou acham que se calhar ainda é cedo? 






2 comentários:

  1. Tanto tempo para comprar óculos e depois compra isso?

    ResponderEliminar
  2. Se eu tivesse uns óculos assim matava-me!

    ResponderEliminar