26.6.17

20 anos de Harry Potter

No mundo de magia criado por J.K. Rowling, (escrito há, pelo menos, 25 anos, publicado há precisamente 20, feitos hoje) não existem televisões e, assim sendo, dificilmente teríamos bruxas a transmitir e a relatar calamidades ao lado de vítimas. Assim no máximo, terimos uma manchete do Daily Prophet com destaque para uma invasão de dementors em que estes se mexem na primeira página como se de um Gif se tratasse. Também não existem novas tecnologias; ora iPhones, tablets ou drones não fazem parte da saga; nem tão pouco redes sociais. Instagram, facebook, twitter, YouTube, whatsapp ou snapchat, não existem (e que alívio que assim o é). Os feiticeiros e feiticeiras não têm aquela pressão social chata de ter de atualizar a foto de perfil, ou de ter de responder a perguntas como 'o que é que estás a sentir'. A malta de Hogwarts diverte-se à mesma, não pensem o contrário... fazem poções polísuco, e vão para a floresta Proibida à procura de sangue de unicórnio (aposto que vão fazer outras coisas, em segredo, os badalhocos). Depois, também não consigo imaginar o Harry a mandar nudes à Ginny, ou o Ron a enviar dick picks à Hermione. 

Se J.K. Rowling começasse a escrever hoje, parece difícil imagina-la a conseguir conceber uma história sem escapar a tanta evolução tecnológica, a contornar tantos aspetos contemporâneos a fervilhar. Ou seja, acho difícil imaginar um Harry sem um smartphone para o engate, ou sem um Dudley a ser youtuber. Parecendo que não, em 1996 (andava eu na creche) não existia ainda grande coisa e, talvez por isso, J.K Rowling tenha conseguido criar um clássico intemporal. Basta pensar que em Hogwarts aquela malta ainda janta e vai dormir à luz das velas. Se nem eletricidade aquela malta ainda descobriu, há algo de muito arcaico (mas em bom, não é do género senhor dos anais) transversal ao nosso imaginário, que nos leva para um espaço bem longe de luzes led ou neon. No mundo do Harry também não há bimbys. Há cerveja de manteiga, e feijões com sabor a salsicha. Não há cá chefes de cozinha. Não há Avillez, nem 24 kitchen, nem master chefs de famosos chatos. Em vez disso, bate-se palmas e temos banquete. Também não há metro, deslocam-se em comboios, carros voadores ou vassouras. voam em cima de Griffos uma vez por outra. E entretanto é capaz de ser tudo isto a grande e verdadeira magia de Harry Potter, a que nos leva a imaginação para bem longe dos dias que correm, longe das nossas vidas aborrecidas de muggles. 

(Entretanto, descobri hoje que o Dumbledore é rabeta, estou chocado). 



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