19.6.17

Pedrógão

E assim de repente, vendo bem, o meu quarto nem está assim tão quente como isso. E se calhar nem é assim tão mau ter de dormir como vim ao mundo, ou arrastar-me até à sala para poder dormir. Em perspetiva nem é assim tão estúpido percorrer o facebook e ter, notícia sim, notícia não, artigos a falar da Madonna em Lisboa. Da Madonna a ir ao liceu francês, a ir a Sintra, a ir à praia da Comporta andar a cavalo, a ir à piriquita comer travesseiros até ter uma dor de barriga. É preferível. É preferível, de longe, a ter de saber que o mesmo fogo que não teve piedade de 62 pessoas, continua, ainda hoje, com 4 frentes ativas. Com ainda mais frentes noticiosas implacáveis e abutres, onde se tenta extorquir a dor de quem não tem como ver de fora, porque não lhes resta outra coisa a não ser estar lá. Que este cenário é notícia além fronteiras era de esperar, o que há a lamentar é que haja sempre Judites de Sousa a mostrar a falta de bom senso, a usar a tragédia e dor alheia como forma ultrajante de apelar à emoção. Eu explico, para quem não viu: A Judite de Sousa achou que seria sensato e profissional fazer um direto com uma vítima como cenário de fundo. 




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